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Os 4 exames que mais aparecem alterados

Hemograma, hemoglobina glicada, ferro e ferritina, TGO e TGP. O que cada um mede, o que faz subir, o que faz descer e o que observar antes de se preocupar.

Bruno Castro, nutricionista e treinador.

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Como usar

Cada ficha segue a mesma ordem: o que o exame mede, o que acontece quando está alto, o que acontece quando está baixo e o que costuma interferir no resultado. Compare sempre com a faixa impressa no seu laudo: cada laboratório usa método e unidade próprios.

Ficha 01

Hemograma

Hemácias, hemoglobina, VCM e HCM. É a sua carteira de identidade, e tende a se manter constante ao longo da vida.

Hemácias

Número de células vermelhas em cada mililitro de sangue. Em níveis satisfatórios, o organismo produz energia de forma mais eficiente, o que favorece a disposição e a capacidade de fazer atividades do dia a dia e exercício físico.

Níveis baixos podem indicar anemia. Sintomas comuns: cansaço excessivo, falta de ar ao fazer esforço, queda no rendimento físico, dificuldade de recuperação muscular, sonolência, tontura e dor de cabeça.

Hemoglobina

Proteína que contém ferro, dá cor ao sangue e transporta oxigênio e gás carbônico.

Baixa: menor capacidade de metabolizar alimentos, de oxigenar os tecidos e de produzir energia na célula.
Alta: comum em homens de estatura grande, fumantes, pessoas que usam suplementação de ferro ou treinam em alta altitude. Há mais transporte de oxigênio e, junto, mais produção de radicais livres, o que acelera o envelhecimento. São pessoas com maior demanda de antioxidantes.

VCM e HCM

O VCM é o volume das hemácias e o HCM é o peso médio da hemoglobina dentro delas.

  • VCM aumentado: células maiores que o normal, sugerindo anemia macrocítica. Causa: deficiência de vitamina B9 e B12.
  • VCM diminuído: células pequenas. Causa: deficiência de ferro e de vitamina B6.
  • HCM aumentado: deficiência de vitamina B9 e B12.
  • HCM diminuído: deficiência de ferro.

Leucócitos, a série branca

Células de defesa, peça chave no controle da resposta imune. A contagem varia conforme exercício desgastante, tensão ou digestão, e serve para avaliar infecção ou inflamação, alergia e resposta de cortisol.

  • Normal: 6.000 a 7.000 células/mm³.
  • Normal reduzido, 5.000 a 6.000: observar baixa resposta de cortisol, metais pesados, exercício extenuante, cansaço crônico, imunidade baixa, estresse crônico.
  • Normal alto, 7.000 a 8.000: observar resposta de cortisol alta, inflamação, glicemia alta, dificuldade para dormir, agitação, irritabilidade, nervosismo, aumento da fome e de alimentos prazerosos, dificuldade de ganho.

Também pode estar aumentado em fumantes e em quem consome mais de 200 ml de café por dia.

Ficha 02

Hemoglobina glicada

Acontece quando uma molécula de glicose se liga à molécula de hemoglobina. Quando isso ocorre, a hemoglobina perde a função.

A consequência direta: ela transporta menos oxigênio. Chega menos oxigênio aos tecidos e cai a capacidade de gerar energia no metabolismo aeróbio da célula. Há também mais inflamação, pelo aumento da formação de radicais livres.

Orientação do autor: reduzir o consumo de carboidratos ao longo do dia, em especial doces, farinha branca, açúcar, tapioca, pão, polvilho e suco industrializado. Aumentar o consumo de antioxidantes: frutas, verduras, legumes e especiarias como curry, açafrão, canela, cravo e cacau.

Glicose e insulina, os vizinhos de laudo

A glicose mede o açúcar no sangue. Quando aumentada, reflete resistência dos tecidos, em especial fígado e músculo, em captar essa glicose.

A insulina é o principal hormônio liberado após as refeições, estimulado primeiro por carboidratos e depois por proteínas. Gordura não impacta os níveis de insulina.

Insulina em excesso está associada a ganho de peso e de gordura, dificuldade em perder gordura, cansaço, indisposição, falta de energia, desânimo, vontade de doce, sonolência ao longo do dia e principalmente após o almoço, pele e cabelo oleosos, queda de cabelo, ovário policístico, mioma, hipertensão, inchaço, retenção, aumento de colesterol e alterações de memória, raciocínio e foco. Ideal: menor que 9.

Ficha 03

Ferro e ferritina

O ferro sérico é o que circula no sangue. A ferritina é o estoque, no fígado e no intestino. Um não substitui o outro na leitura.

Ferritina alta

Causas mais comuns: excesso de ferro, inflamação, resistência à insulina, exercício de alta intensidade ou volume (por inflamação), infecções, lesões hepáticas e artrite reumatoide. Nessa condição há aumento da produção de radicais livres, o que é altamente prejudicial.

Orientação do autor: consumir chá verde. Sardinha, abacate, gengibre e cacau em pó são excelentes opções.

Ferritina baixa

Indica deficiência crônica de ferro.

Orientação do autor: consumir fígado uma a duas vezes por semana e carne vermelha. Aumentar alimentos fonte de vitamina C, como acerola, mamão, kiwi e goiaba. Evitar cacau, café, leite e derivados junto das refeições com ferro.

O que altera o ferro sérico

  • Alto: degradação de hemácias na corrente sanguínea por falta de ômega 3, desidratação por baixo consumo de água, e superdosagem de reposição de ferro.
  • Baixo: ingestão insuficiente, absorção reduzida (cirurgia bariátrica, deficiência de vitamina C, omeprazol, disbiose intestinal), perdas por via digestiva (gastrite, úlcera, doença intestinal), cirurgias, inflamação aguda ou crônica e menstruação com fluxo excessivo.

O metabolismo adequado do ferro depende de pelo menos outros seis nutrientes. Por isso a análise correta depende do resultado dos demais exames, e não desse valor isolado.

Ficha 04

TGO e TGP

Duas enzimas produzidas em células do fígado, diretamente associadas a estresse oxidativo, inflamação e autoimunidade. São indicativo de lesão hepática e devem ser avaliadas junto com outros marcadores.

O detalhe que engana quem treina: a TGP aumenta naturalmente em processo de hipertrofia, porque também é produzida no músculo nessas condições.

O que interfere no resultado

  • Vitaminas do complexo B aumentam a TGO.
  • Medicamentos: aspirina, anti-hipertensivos, anticoagulantes, contraceptivos orais, anti-inflamatórios, antifúngicos, inibidores de colesterol, antiepiléticos e etanol.
  • Hipertireoidismo e hipotireoidismo.
  • Exercício extenuante.

Faltam sete

O laudo completo tem 11 marcadores

Além destes quatro: colesterol e suas frações, ureia, ácido úrico, creatinina, cortisol e tireoide, com a mesma lógica de leitura e o contexto que liga um exame ao outro.

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